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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

SOBRE O TEMPO... ENTREVISTA COM A PROFª CIDA MACEDO

       Contadora de histórias, criadora do Café Cultural, leciona no Silva Prado desde 1992, ex-aluna da escola também, com duas idas e vindas para o Silva...       Ela é umas das professoras mais marcantes da escola e todos os alunos gostam dela.
         Nós do blog, fizemos uma entrevista super descontraída...         Sabe quem é? Não?          Então continue vendo e divirtam-se com a Prof.ª Cida Macedo.  


Blog: A gente sabe que a senhora estudou aqui também, fala um pouquinho de como era antes?
Prof.ª Cida Macedo: Eu tenho uma afeição, uma nostalgia pelo Silva Prado. Eu me lembro de muitas coisas que passei aqui. No tempo em que eu estudava, a situação do Brasil era diferente. Vivíamos numa sociedade reprimida pelo governo. Então, todo dia tínhamos que cantar o Hino Nacional, formarmos filas e as coisas também eram muito mais exigidas de nós. Hoje em dia, os alunos são meio que soltos, optam por não estudarem e nós não tínhamos isso, éramos obrigados a estudar, a tirar notas boas... Os pais cobravam, a sociedade cobrava. Então, era bem diferente.
Eu sempre fui bem agitada... Virava e mexia, eu também levava advertência, mas por coisas muito bobas; coisas que, hoje em dia, nem são consideradas como atos de uma pessoa indisciplinada. Na minha época, o que eu fazia era indisciplina; hoje em dia não.

Blog: A senhora fazia sarau aqui, o Café cultural... A senhora poderia nos contar um pouquinho sobre isso?
Prof.ª Cida Macedo: Não sei se vocês sabem, mas o nome da escola era Grupo Escolar Deputado Silva Prado e Ginásio Estadual Jornalista Francisco Mesquita. A mesma escola tinha dois nomes. O Grupo Escolar era da 1ª a 4ª série. Hoje em dia, o ensino fundamental vai até o 9º ano, né? Naquele tempo não, era só até a 4ª série (atual 5º ano), que então recebia o nome de Grupo Escolar Deputado Silva Prado, e quando passávamos para a 5ª série (6º ano) virava Ginásio Estadual Jornalista Francisco Mesquita. Assim, era Deputado de manhã, e à tarde e à noite Francisco Mesquita. No 1º ano, eu me lembro muito bem, estava na sala cinco e uma professora deu uma atividade: ela nos contou a história da Chapeuzinho Vermelho. Contou-a com dois lápis na mão, um vermelho e um azul, muito bonitos. Como éramos bem pobres, só tínhamos caderno, um lápis e uma borracha, a professora disse que quem fosse à frente e recontasse a história, ganharia os dois lápis. E eu, mesmo sendo tímida, fui lá e contei a história. Resultado? Ganhei os dois lápis! E a partir daí, eu gostei muito da ideia de contar história. Sempre fui voluntária quando me pediam alguma coisa; fazia teatro, e quando me tornei professora, acabei colocando isso em prática. Teve uma época, que lecionava somente à noite, fiquei muito tempo no período noturno, e a escola era bem movimentada, tudo acontecia à noite, mas era tudo de bom. Eu participava do Movimento Cultural Penha, e o pessoal de lá promovia alguns eventos de disputa entre escolas estaduais. Nós, do Deputado, disputávamos na categoria peça teatral. Ganhamos três anos como melhor peça teatral. As peças tinham que ser espontâneas, algo referente a ações corriqueiras... Eu cheguei a levar 66 alunos (atores) para representarem em uma única peça; todos queriam participar e era uma febre fazer teatro. Vários alunos vinham em busca dessa arte. Com esses 66 alunos, eu fiz um cenário humano e era um conto de terror, quando aparecia um fantasma o cenário fazia "uhhhh..." e os atores se movimentavam; ficavam de costas, faziam movimentos para frente e com as mãos. Depois disso, comecei a fazer teatro, a apresentar em vários lugares de São Paulo, como atriz de um grupo que acabou entrando em conflito, e eu resolvi me desligar dele. Quando eu saí, minha mãe faleceu e eu entrei em depressão, para me tirar da depressão eu comecei a contar história, incorporar personagens, usar a linguagem teatral junto com a linguagem de “contação de histórias” e tive a ideia do Café Cultural, para movimentar as pessoas em torno da arte. Nesse evento, as pessoas apresentavam vários tipos de arte e é por isso que foi batizado como “café”, porque você toma café quase sempre acompanhado de alguém... Cada um leva uma coisa, então o Café Cultural é a mistura de várias manifestações de arte. Já fiz o “café” em outras escolas, e até na casa de amigos.

Blog: Se hoje fosse voltar o Café Cultural, a senhora apoiaria?
Prof.ª Cida Macedo: É claro! Tem até a iniciativa de alguns alunos que querem fazê-lo novamente, e eu também quero fazer, inclusive em outubro... Outubro é um ótimo mês porque tem férias, eleições... Será um bom momento pra gente voltar. O Café Cultural não é só de uma pessoa, é da escola, é de todos.

Blog: E sua relação com os alunos, como é?
Prof.ª Cida Macedo: Eu me vejo como uma professora que se relaciona bem com eles. Não tenho conflito com aluno, é difícil. Já tive, sempre temos alguns conflitos no meio do caminho, porque às vezes não estamos predispostos a ouvir certas coisas, o que acaba em conflitos. Vocês que têm que perguntar para eles.

Blog: Mas nós conhecemos alguns ex-alunos, e a maioria disse que a senhora foi uma ótima professora e falam muito bem. Sentem muita falta...
Prof.ª Cida Macedo: Que graça! Eu procuro elaborar aulas interessantes, porque eu tive muito problema quando era aluna. Eu repeti duas vezes a 6ª série por motivo de muitos conflitos com a professora de Português. Essa professora não me deixava assistir às aulas dela. Ela me fazia sair da sala para poder dar aula... Eu questionava algumas coisas que ela dava que eu achava que não tinha sentido. Resultado: ficava no corredor. O Paulinho, um inspetor bem rígido, se pegasse aluno no corredor, levava-o para a direção. A gente tinha que ficar com o nariz virado para a parede por um tempão, como punição, ainda levava advertência e, dependendo da quantidade de advertência, era expulso. Então, eu acabava não indo à escola nos dias de Português, e esses dias eram quase todos da semana. Aí eu repeti por faltas, pois a disciplina de Português era sempre com a mesma professora, até que eu me calei e passei de ano. Mas, essa professora foi um  excelente exemplo para mim em questão de didática, para eu nunca ser igual a ela. Sempre monto aulas diferentes pensando como aluno, porque o aluno fica entediado com certas coisas que também me entediavam.

Blog: Por que a senhora escolheu lecionar justamente a área de português?
Prof.ª Cida Macedo: Ah, eu sempre gostei da área de comunicação, sempre falei muito. Acho que isso foi o meu problema com a professora de Português. Eu tinha um professor que gostava do meu jeito e me defendia. A matéria dele era Práticas de Serviços de Escritório, uma matéria muito legal... Ele trazia cópias de cheques, de notas promissórias e a gente tinha que aprender a preenchê-los. Era muito legal, produtivo e útil. A vida me levou para ser secretária, e como tal, eu tinha que ter um bom português. Tive a ideia de fazer Administração de Empresas, mas apareceu no meu caminho o curso de Letras.Tive problemas com a professora de Didática, porque ela achava que eu ia me formar para ser secretária. Ela me criticava muito, mas eu sempre levei críticas numa boa. Críticas, na minha vida, eu levei muitas, mas sempre na boa, nunca fiquei em depressão por isso. Mas, entre todo o pessoal do grupo, eu fui a que levou a profissão de professora à frente... Fiz mestrado e estou começando a fazer o doutorado.  Talvez no começo do curso minha intenção fosse concluí-lo para ser uma melhor secretária, mas quando fui fazer estágio me apaixonei, tinha até um amigo que dizia "quando somos picados pelo bichinho da educação, não tem jeito".

Blog: E a senhora poderia indicar um livro, filme e uma frase que a senhora gosta muito?
Prof.ª Cida Macedo: Opa... Um livro, um filme e uma frase?

Blog: Isso... Até uma peça teatral se você quiser trocar.
Prof.ª Cida Macedo: Eu tenho vários livros, filmes e frases de que gosto muito..

Blog: O que a senhora mais gosta de fazer no tempo livre? O filme que gosta de ver sempre? Só não vale falar que é corrigir prova (risos)
Prof.ª Cida Macedo: Aí seria a coisa de que eu menos gosto (risos). Mas vamos lá... A coisa que mais gosto de fazer, é ir ao teatro.

Blog: Então qual sua peça preferida?
Prof.ª Cida Macedo: Adoro comédia; gosto de peça instrutiva, mas eu gosto de ir ao teatro e dar risada. Com a peça "Trair e coçar, é só começar" eu me diverti muito, ri bastante. Mas foram atores de um grupo teatral, que eu os procuro até hoje e não sei onde estão, que fizeram a mais fascinante representação teatral que já vi na vida, na peça "Auto da barca doinferno", no teatro do Centro Cultural, que fica na estação Vergueiro. Lá tem um teatro maravilhoso, que é um teatro de arena. Só que, naquele dia, os organizadores do Centro Cultural nos colocaram num porão, e eu achei aquilo tão estranho, horrível, só que tudo fazia parte da peça “Auto da barca do inferno”, porque parecia mesmo que estávamos no inferno e foi muito bom. Um dos atores, o que fazia o papel do diabo, tinha uma produção fantástica no seu figurino. Ele estava com o corpo de cavalo mesmo, e ele chicoteava e o barulho retumbava no ambiente todo. Eu até fico arrepiada quando me lembro dessa peça. Para assisti-la, eu e a professora Carmem levamos os alunos da EJA. Foi muito bom. Quanto ao filme, eu gosto de clássicos... BenHur, Os dez mandamentos, Quo Vadis... Gosto de filmes clássicos, históricos. De livro? Eu gosto de muitos, muitos livros. Mas gosto de Machado de Assis, do livro Dom Casmurro, por exemplo. Já o li umas 50 vezes e cada vez eu enxergo uma coisa diferente. Daqui do Brasil é Machado de Assis, de fora é a obra de Dante Alighieri, Adivina comédia humana. É o meu livro preferido de todos os livros que já li... Ele foi o mais fantástico, ele me leva a uma atmosfera, a uma jornada diferentes. É fantástico...

Machado de Assis

Blog: Uma frase que você leva pra sua vida?
Prof.ª Cida Macedo: Aproveite o tempo, antes que ele passe. Foi um professor que escreveu na minha agenda, na 8ª série, e eu nunca esqueci isso. E realmente, temos que aproveitar o momento, porque passa muito rápido. De repente você está com 18 e depois com 30. Aproveite o tempo para fazer tudo, que o dia entra e sai e você nem percebe.

Blog: A senhora quer deixar um recado para quem está lendo?
Prof.ª Cida Macedo: Quero... Deixe-me pensar direitinho, porque as palavras são muito importantes. Com elas, você pode exaltar uma pessoa, como também pode acabar com ela. Então é importante... "Basta ser sincero e desejar profundo. Você será capaz de sacudir o mundo... Tente sempre, sempre. Uma vez e mais uma vez, e outra vez." É do meu grande poeta e ídolo Raul Seixas.

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Participaram dessa excelente entrevista:
Beatriz França (2ºF)

Thamara (3ºB)

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